sexta-feira, 4 de março de 2011

atravessando a rua

A mão vazia na noite balançava no ar gelado da carência afetiva hormonal do coração fraco e tonto. "Se eu fumasse, estaria fumando agora", ela pensou enquanto aguardava o farol fechar para atravessar a rua. "Um cigarro assim, com aquela pontinha acesa, a fumacinha saindo, aquele cheiro horrível, consumindo minhas horas nesse mundo, mas confortando por alguns minutinhos meu pobre coração cansado de sofrer, como aquelas músicas, poemas, frases bregas, enfim...". Vermelho. Ela atravessa a rua, fechando a blusa na altura dos peitos com a mão direita. Alcança o outro lado da rua. "Se cigarro não prejudicasse tanto a saúde, eu fumaria".

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