não adianta
eu sei que está lá
longe, do outro lado
tentando se disfarçar
algo muuuuito casual
mas um dia
vem até mim
quarta-feira, 20 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Foda-se
Dizer simplesmente FODA-SE, e nada mais, é bater a porta na cara de alguém, alguma coisa ou situação. Uma fuga. Um basta. Uma pausa. Para, muitas vezes, não ter de encarar o, nem sempre, triste fato de que não temos argumentos, de que estamos confusos e não sabemos como lidar com o "adversário".
Nada contra a dizer FODA-SE ou FODAM-SE, mas o excesso pode ser prejudicial. Pois muito provavelmente é a preguiça de raciocínio falando mais alto. E você passa a ser um fugitivo covarde de questões que poderiam ser facilmente resolvidas.
Nada contra a dizer FODA-SE ou FODAM-SE, mas o excesso pode ser prejudicial. Pois muito provavelmente é a preguiça de raciocínio falando mais alto. E você passa a ser um fugitivo covarde de questões que poderiam ser facilmente resolvidas.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Pra esquecer
Meus olhos estavam fechados. Dentro deles estava escuro. Sentia o cheiro dos cigarros, das cervejas, do mato e da noite. Inspirei profundamente pra mergulhar mais profundamente naquele ambiente zonzo e lento. Fui assim até um nada. E quando abri meus olhos, voltei. Estava sentada em cima de uma pedra, ao seu lado.
Eu olhava pra frente mas podia ver perifericamente seu vulto meio irreconhecível. Suas pernas estavam estendidas.
Na minha mão direita a lata de cerveja barata, meio morna, meio cheia, meio amassada. Na minha mão esquerda eu sentia o cigarro entre os dedos. A brasa queimava. Quase não se via fumaça, ventava frio.
Na nossa frente os pássaros corriam, um atrás do outro. Gritavam histéricos, bêbados. "Não vou me esquecer disso", me veio à mente. E coloquei o cigarro na boca. Você deu uma risada preguiçosa, mole, de quem quase nem tinha forças pra rir. Os pássaros pareciam estar brincando de pega-pega. E gritavam. Senti um beijo molhado na bochecha e o bafo de cerveja. Soltei a fumaça pelas narinas e te beijei a boca. "Não vou me esquecer disso". O gosto, azedo, ácido, amargo, gelado, quente, gelado e molhado, morno. Doía lentamente, doía. Queria que doesse mais. Era horrível, mas eu queria. Ir mais fundo e me enroscar nessa confusão. Até ficar inconsciente. E depois voltar como se nada tivesse acontecido.
Eu olhava pra frente mas podia ver perifericamente seu vulto meio irreconhecível. Suas pernas estavam estendidas.
Na minha mão direita a lata de cerveja barata, meio morna, meio cheia, meio amassada. Na minha mão esquerda eu sentia o cigarro entre os dedos. A brasa queimava. Quase não se via fumaça, ventava frio.
Na nossa frente os pássaros corriam, um atrás do outro. Gritavam histéricos, bêbados. "Não vou me esquecer disso", me veio à mente. E coloquei o cigarro na boca. Você deu uma risada preguiçosa, mole, de quem quase nem tinha forças pra rir. Os pássaros pareciam estar brincando de pega-pega. E gritavam. Senti um beijo molhado na bochecha e o bafo de cerveja. Soltei a fumaça pelas narinas e te beijei a boca. "Não vou me esquecer disso". O gosto, azedo, ácido, amargo, gelado, quente, gelado e molhado, morno. Doía lentamente, doía. Queria que doesse mais. Era horrível, mas eu queria. Ir mais fundo e me enroscar nessa confusão. Até ficar inconsciente. E depois voltar como se nada tivesse acontecido.
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