Nessa época do ano as pessoas que não falam com você há séculos resolvem ter a boa vontade de te dizer "oi" como se tivessem te visto ontem. Elas simplesmente esquecem que esqueceram de retornar as suas ligações, de dar uma resposta aos seus convites. Tudo isso por quê? Por que um tal de Jesus, dizem, nasceu em 25 de dezembro? Não dá pra entender. Não dá mesmo. Eu não entendo. Nada contra Jesus, se ele nasceu ou não, se foi em 25 de dezembro ou não, problema é dele. Agora, o que tem a ver as pessoas de repente ressucitarem. Isso não deveria acontecer na Páscoa, então?
Ah, tenho vontade de mandar essas pessoas pro espaço pra não dizer outra coisa porque apesar dos pesares um dia foram meus amigos, num tempo lá atrás nos gostávamos e convivíamos juntos. Era bom. Só acho idiotice só nessa época do ano se lembrarem da gente. E aí vem aquela vozinha cheia de chavões "antes tarde do nunca" e "melhor que nada"... Saco!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
Eu preciso sair
Eu preciso sair. Antes disso olho pela janela, preciso me certificar de que as nuvens cinzentas estão ali e ali permanecerão por um bom tempo, pelo menos tempo suficiente para poder andar por aquelas ruas sem começar a suar feito um imbecil. Sim, as nuvens estão ali, grandes pedaços de algodão encardido, sujo, usado. Fecho a cortina. Ponho meu casaco preto. Num dos bolso procuro o maço de cigarros e o isqueiro. Coloco um cigarro na boca, acendo, alívio. Devolvo o maço e o isqueiro ao bolso. Enfio uns trocados que estavam jogados na mesa no bolso direito da calça. Saio. Sinto o vento gelado bater no meu rosto, um arrepio na espinha, encolho meus ombros. Com a mão esquerda seguro o cigarro, a direita enfio no bolso do casaco quase sentindo o maço e o isqueiro. Dobro a esquina. Está bem frio hoje, meu nariz vai congelar. Tenho vontade de rir. Rio. Está frio pra caralho! Rio. Que merda! Rio. Uma senhora vem do outro lado da calçada, me olha meio assustada e depois olha pro chão. Olho pro chão. Rio. Não sinto direito o cigarro. A fumaça quase não vejo, venta muito. Ando depressa pra tentar esquentar o corpo. Sinto uma alegria não sei de onde. Por causa do mau tempo as ruas estão mais vazias. Melhor. Assim é que é bom. Não sei pra onde vou. Só queria andar. Mas sem propósito as coisas ficam meio sem graça. Não tenho amigos pra visitar. Só tenho uns trocados. Deveria ter trazido o mp3 pra ouvir alguma coisa boa. Aquela coletânea de post-punk. Não sei. Desgraça. Coloco minha mão no bolso da calça pra sentir as moedas. Mais cigarros? Não. Tô enjoando disso, a brincadeira tá ficando meio sem graça também. Ok, aceito uma cerveja. Isso. Uma cerveja. Volto pra casa e escuto algumas músicas. Tomo várias cervejas. Merda de amigos. Mas o frio está bom. Eu poderia morrer agora, feliz. Poderia ficar aqui congelando, mas tenho vontade de movimento, preciso acompanhar o vento. Onde será que ele vai dar? Andar, andar até cansar. Mas não quero suar como um imbecil. Pior é que realmente estou esquentando. Apago o cigarro na mureta de uma casa, seguro a bituca. Que merda, nessa cidade não tem lixo, por isso tá essa merda. Finalmente, um lixo. Jogo a bituca. Cheiro minha mão, me certifico que o cheiro de cigarro ficou nos dedos. Droga. Sorrio. Bom, o mercado tá logo ali. Cerveja. Acho que dá pra umas três long neck. Pessoas. Famílias, casais, velhos. Crianças. A menina dançando em frente a televisão de 32 polegadas. Dança Pink Floyd. Nem deve saber o que é isso. Engraçado. Sorrio. A menina me olha, sorrindo com os olhos, para de dançar e gruda na perna da mãe. Acho que é a mãe. Não importa. Só vejo pernas gordas envolvidas num pano rosa-shoking. Cerveja é pra lá. Mais pessoas, carrinhos. Pessoas lerdas. Vejo a parte de sorvetes. Droga, estou suando como um imbecil. Bolachas. Nossa, a fila tá grande. Droga. A loira. Piercing no umbigo. Parece um verme preso por um brilhante balançando na barriga dela. Um dia ele vai entrar na barriga dela pelo umbigo e vai comer que estiver lá dentro. Sorrio. Ela finge que não viu. Bunda. Gostosinha. Não tem peitos, mas até que serve. Cerveja. Ali. Ok. Minhas Heinikens e não se fala mais nisso. Mas tem uma aqui... Irlandesa. Deve ser forte. Diferente. Não, não. Vou levar as verdes. Dane-se. Não tenho muita grana. Acho que dá. Essas três tá bom. Vai dar pra dormir. Que deprimente. Foi o que ela disse uma vez. "Beber sozinho deve ser deprimente!" É? Dane-se. Vai beber com suas amiguinhas imbecis. Dane-se. Não tenho amigos. Suas amiguinhas até eram legais, a Ju, principalmente. Além de ter uns peitões era engraçada. Pena. Fila. Casal imbecilzinho na minha frente. Eu mereço? Não! Nhenhenhém pra cá, amorzinho pra lá. "Amor, deixa eu comer o seu cuzinho? Ah, não sei, será que é uma boa ideiazinha? Ai, pombinha, deixa, vai? Só um pouquinho, não vai doer. Ah, tá bom... Toc-toc. Quem é você?" Tiro uma espada do bolso corto a cabeça dela num só golpe e corto o outro ao meio. Sangue pra todo lado. Rio. Salgadinhos. Batatas fritas, Fandangos, brinquedinhos coloridos. Legal. O que é isso? Pego um negócio de plástico azul, uma das tampas é transparente, coisas coloridas balançam. Símbolo do Batman. Legal. Devolvo à caixa de papelão onde estava encaixada. Essas garrafas estão congelando minhas mãos. Se ao menos eu tivesse pêgo um cesta. Merda. E esses dois na minha frente não param. Ela me olha às vezes. O cara tenta deixar ela de lado pra ver se ela tá me olhando ou não. Ele viu que eu tava olhando pra ela. Café. Lá na estante. Café quente. Gosto forte. Ela é cheirosa. Uma gordinha gostosa. Logo serei atendido. Merda. Minha mão tá dura.
- Caixa cinco!
Vou em direção ao caixa. Olho duas vezes pra plaquinha pra me certificar de que realmente é o caixa 5. É. A mulher guarda apressada o resto das mercadorias de um casal de velhinhos lerdinhos. Coitados. Deixo as garrafas em cima do balção do caixa. A mulher fecha o caixa com ar de cansada. Deve ser uma dureza trabalhar aqui.
- Boa tarde, senhor. - ela esboça um sorriso cansado.
- Boa tarde. - sorrio buscando meus trocados no bolso da calça.
- Encontrou tudo o que desejava?
- Sim. - Me atrapalho com as moedas.
- 6,60.
Separo a grana e dou pra mulher.
Coloco as garrafas dentro de duas sacolas de plástico para não arrebentarem. Ela me entrega a nota.
- Obrigado. - enfio a nota no bolso de trás da calça. Pego as sacolas. Será que eu deveria pegar uma e já tomar? Minhas mãos ainda estão geladas. Saio do mercado. O vento continua aqui. Respiro o ar gelado. Minhas mãos estão congeladas. Frio do caralho! Ando. Um carro vem vindo no estacionamento. Passo na frente. Saio pra rua. Coloco a mão no bolso, sinto o maço e o isqueiro. Cigarro. Paro para atravessar a rua. Pego o maço. Tiro um cigarro, o coloco na boca, prendo com os lábios. Pego o isqueiro. Acendo. Alívio. Bom. Frio. Sorrio. Atravesso a rua. O menino que atravessa a rua do outro lado me olha. Deve me achar o máximo com esse casaco preto. Rio. Ele usa uma blusa de moletom do Iron Maiden. Quer ser meu amigo, bichinha? Vamos lá em casa te apresento umas bandas de verdade. Se você for legal te ofereço um cigarro. Pena. Ele deve ter amigos mais legais, que devem gostar de Iron Maidem também. Bom, pra ele. Melhor pra mim. Vou abrir uma cerveja. Não vou esperar, não. Foda-se. Pego uma da sacola. Caralho, que gelo! Abro uma. Jogo a tampa dentro do saco. Cara, meu cérebro congelou agora. Umas mulheres vem vindo. Babo pelo canto direito. A mais velhas me olha com reprovação. Limpo a baba com o punho da mão que segura a garrafa.
Vou bebendo, em pequenos goles. Ah, o gosto amargo. Os primeiros sempre são os melhores e o resto vira hábito até acabar. Chegar em casa. Pelo menos lá vai estar mais quente. Além do mais já estou de saco cheio. Padaria de merda. Olha os velhos barrigudos enchendo a cara, enquanto a mulher deve estar assistindo a novela fofocando com as vizinhas dizendo "Ele não presta!" e a outra concordando. Imbecis. Dobro a esquina. Ninguém na minha rua. Bom. A garrafa tá na metade. O que vou ouvir? Me vem a bateria do começo da "Anthrax". Boa. Gang of four. Boa.
- Caixa cinco!
Vou em direção ao caixa. Olho duas vezes pra plaquinha pra me certificar de que realmente é o caixa 5. É. A mulher guarda apressada o resto das mercadorias de um casal de velhinhos lerdinhos. Coitados. Deixo as garrafas em cima do balção do caixa. A mulher fecha o caixa com ar de cansada. Deve ser uma dureza trabalhar aqui.
- Boa tarde, senhor. - ela esboça um sorriso cansado.
- Boa tarde. - sorrio buscando meus trocados no bolso da calça.
- Encontrou tudo o que desejava?
- Sim. - Me atrapalho com as moedas.
- 6,60.
Separo a grana e dou pra mulher.
Coloco as garrafas dentro de duas sacolas de plástico para não arrebentarem. Ela me entrega a nota.
- Obrigado. - enfio a nota no bolso de trás da calça. Pego as sacolas. Será que eu deveria pegar uma e já tomar? Minhas mãos ainda estão geladas. Saio do mercado. O vento continua aqui. Respiro o ar gelado. Minhas mãos estão congeladas. Frio do caralho! Ando. Um carro vem vindo no estacionamento. Passo na frente. Saio pra rua. Coloco a mão no bolso, sinto o maço e o isqueiro. Cigarro. Paro para atravessar a rua. Pego o maço. Tiro um cigarro, o coloco na boca, prendo com os lábios. Pego o isqueiro. Acendo. Alívio. Bom. Frio. Sorrio. Atravesso a rua. O menino que atravessa a rua do outro lado me olha. Deve me achar o máximo com esse casaco preto. Rio. Ele usa uma blusa de moletom do Iron Maiden. Quer ser meu amigo, bichinha? Vamos lá em casa te apresento umas bandas de verdade. Se você for legal te ofereço um cigarro. Pena. Ele deve ter amigos mais legais, que devem gostar de Iron Maidem também. Bom, pra ele. Melhor pra mim. Vou abrir uma cerveja. Não vou esperar, não. Foda-se. Pego uma da sacola. Caralho, que gelo! Abro uma. Jogo a tampa dentro do saco. Cara, meu cérebro congelou agora. Umas mulheres vem vindo. Babo pelo canto direito. A mais velhas me olha com reprovação. Limpo a baba com o punho da mão que segura a garrafa.
Vou bebendo, em pequenos goles. Ah, o gosto amargo. Os primeiros sempre são os melhores e o resto vira hábito até acabar. Chegar em casa. Pelo menos lá vai estar mais quente. Além do mais já estou de saco cheio. Padaria de merda. Olha os velhos barrigudos enchendo a cara, enquanto a mulher deve estar assistindo a novela fofocando com as vizinhas dizendo "Ele não presta!" e a outra concordando. Imbecis. Dobro a esquina. Ninguém na minha rua. Bom. A garrafa tá na metade. O que vou ouvir? Me vem a bateria do começo da "Anthrax". Boa. Gang of four. Boa.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Manhã interrompida
Dessa vez não havia passarinhos cantando perto da janela. O que me acordou mesmo foi o telefone. Mas nem atendi, pois, provavelmente, a ligação não seria para mim. Menos mal, agora, a essa hora não precisaria falar com ninguém. Falar o quê? Nada. Depois de resmungar alguma coisa, só pra testar as cordas vocais, rolei parao lado esquerdo da cama e me levantei. Peguei o celular, vi que horas eram. Ainda bem que não passava das 9. Não gosto de me levantar depois das 9 porque me dá a impressão de que perdi a manhã, mesmo que eu não tenha absolutamente porra nenhuma pra fazer de manhã. Oras, é um tempo que se esvai. E se podemos aproveitar ou não, tudo depende da nossa imaginação e, claro, vontade.
Não sei por quê. O céu parece mais azul, mesmo tendo nuvens cinzentas. Parece que consigo enxergar além. É estranho, mas ao mesmo tempo me deixa contente. Ou será que estou contente e isso deixa o céu mais azul?
O telefone toca. Telemarketing.
Não sei por quê. O céu parece mais azul, mesmo tendo nuvens cinzentas. Parece que consigo enxergar além. É estranho, mas ao mesmo tempo me deixa contente. Ou será que estou contente e isso deixa o céu mais azul?
O telefone toca. Telemarketing.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Me deixe em paz
Você nao percebe que tá gastanto o seu tempo de forma r errada? É, errada! O que tanto você faz aí parada, pega o láps, a sombra, o pó, corretivo, fica aí a manhã inteira! Você é doida!
Mas o que eu deveria estar fazendo, o que você me sugere? Sír correndo pela rua, dar uma volta na praça, elr o jornal. Lavar a louça pergar ônibus lotada, sei-lá-eu-pra-onde? Oras, me deixe em paz. Cuidde da sua vida!
O tempo tá pssando...
Pois que passe! Que termine logo este ano, não aguento mais!
Depois você se arrepende...
Que seja, mas estou fazendo as minhas coisas. Coisinhas. Ano que vem começo outras coisas.
Ah, é tipo o quê?
Tipo um curso novo.
Pra quê?
Pra estudar, pra conhecer coisas novas.
Pra quê?
Pra ampliar as possibilidades. Pra conhcer mais sobre este mundo que vivemos e os que não vivemos. Quer que eu faça o quê? Viaje sem parar, saia pra baladas sem parar, uma louca! Não sou assim. Quero ficar quieta de vez enquando. Nem gosto tanto de viajar. Sei que nunca vou morar fora deste país, embora goste muito de outras culturas. Fazer o quê, sou caseira... Gosto de sair, de me divertir, mas agora não. Não tô com espírito pra isso.
Você é quem sabe... Fique aí com suas idiotices!
Ah, vai à merda!
Mas o que eu deveria estar fazendo, o que você me sugere? Sír correndo pela rua, dar uma volta na praça, elr o jornal. Lavar a louça pergar ônibus lotada, sei-lá-eu-pra-onde? Oras, me deixe em paz. Cuidde da sua vida!
O tempo tá pssando...
Pois que passe! Que termine logo este ano, não aguento mais!
Depois você se arrepende...
Que seja, mas estou fazendo as minhas coisas. Coisinhas. Ano que vem começo outras coisas.
Ah, é tipo o quê?
Tipo um curso novo.
Pra quê?
Pra estudar, pra conhecer coisas novas.
Pra quê?
Pra ampliar as possibilidades. Pra conhcer mais sobre este mundo que vivemos e os que não vivemos. Quer que eu faça o quê? Viaje sem parar, saia pra baladas sem parar, uma louca! Não sou assim. Quero ficar quieta de vez enquando. Nem gosto tanto de viajar. Sei que nunca vou morar fora deste país, embora goste muito de outras culturas. Fazer o quê, sou caseira... Gosto de sair, de me divertir, mas agora não. Não tô com espírito pra isso.
Você é quem sabe... Fique aí com suas idiotices!
Ah, vai à merda!
domingo, 13 de dezembro de 2009
Rachadura
Eu fiquei lá, assim, olhando. A rachadura na parede verde. Como está crescendo. Cada vez mais larga. A cada dia, instante que passa. Preta, a linha preta. Caminhando no escuro, uma formiga. Um absurdo e lá do outro lado uma luzinha que leva pra fora de casa. Será que só uma formiga habita a rachadura da parede verde? Todas as vezes que pintei a parede tentei encobrir a rachadura com massa corrida. Mas dali a algum tempo ela reaparece mais forte, mais linha, mais imperativa. Um dia essa casa vai ruir, ela me diz. Essa casa, onde você viveu tantos anos de sua vida vai ruir. Talvez comece por essa rachadura. Não se sabe. De qualquer modo não sei se estarei viva para ver isso.
Me apresente, depois lá, quando tiver uns 60 anos uma foto da parede verde bravamente resistindo ao desmoronar das outras paredes. Da rachadura fez-se o mundo.
Me apresente, depois lá, quando tiver uns 60 anos uma foto da parede verde bravamente resistindo ao desmoronar das outras paredes. Da rachadura fez-se o mundo.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Vai-se indo
- Que foi?
- Que foi o quê?
- Por que que você tá me olhando?
- Eu? Nada...
- Sei...
...
- Quer parar?
- Parar com o quê?
- Como com o quê? Com isso!
- Isso o quê?
- Tá me irritando...
- Eu, ein. Larga de ser paranoico...
...
- Para...
- Ai, meu, larga de ser chato! Não tô fazendo nada...
- Ah, não...
- Não.
...
- Ah, vou sair!
- Vai, ué. Tô te segurando?
- Tsc...
...
- Vem comigo?
- Não, vou ficar por aqui.
- Tem certeza?
- Tenho. Preciso arrumar algumas coisas...
- Quer ajuda?
- Não, tá tranquilo.
- Tá. Tô indo então.
- Falou.
...
- Não quer vir comigo?
- Nãããão! Vai logo!!!
- Táááá... Tchaaaauuu.
- Tchau!
- Que foi o quê?
- Por que que você tá me olhando?
- Eu? Nada...
- Sei...
...
- Quer parar?
- Parar com o quê?
- Como com o quê? Com isso!
- Isso o quê?
- Tá me irritando...
- Eu, ein. Larga de ser paranoico...
...
- Para...
- Ai, meu, larga de ser chato! Não tô fazendo nada...
- Ah, não...
- Não.
...
- Ah, vou sair!
- Vai, ué. Tô te segurando?
- Tsc...
...
- Vem comigo?
- Não, vou ficar por aqui.
- Tem certeza?
- Tenho. Preciso arrumar algumas coisas...
- Quer ajuda?
- Não, tá tranquilo.
- Tá. Tô indo então.
- Falou.
...
- Não quer vir comigo?
- Nãããão! Vai logo!!!
- Táááá... Tchaaaauuu.
- Tchau!
Matando o censor
É a primeira vez? Não. Sou quase uma profissional. Já matei várias vezes. E quer saber? Não me canso. É divertido. Um ato de liberdade. entende? Por cinco minutos me sento aqui em frente ao computador, a essa tela grande e luminosa e mato. Assassino. Simples assim. Como pão com manteiga no café da manhã. Cheiro bom. Lugar bom. sensação boa. E não importam o que digam, matarei quantas vezes forem necessárias. Sem dor na consciência. bem, pelo menos enquanto mato. depois, quando volto ao local do crime, aí... aí até confesso que uma vez ou outra sinto remorso, arrependimento. Mas o crime está feito. Está escancarado. Ainda mais pra quem quiser ver. e não vou dizer que não é violento o negócio. Ah, é... tem sangue, tem suor, tem dor, etc. Aquelas coisas. Mas a polícia, se é que ela faz parte disso. e certamente deve fazer, vem do mesmo lugar, da mesma mãe. A polícia sou eu. Uhu! Então, tá liberado!!!
Matando o censor durante, primeiramente, cinco minutos. Que delícia!
Matando o censor durante, primeiramente, cinco minutos. Que delícia!
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