atrás das pálpebras
no meio da floresta
debaixo de pedras
espiando pela persiana
entre as palavras
ao lado da ideia
do outro a cidade
dispersas luzes
brancas pálidas ilustres
voando as folhas
voando os pensamentos
dentro dos sapatos
pulando em poças
pinga no rosto
suaves lampejos
ao longe trovoada
sentada na escada
conversa de bêbado
segredo de nada
crianças correndo
sob oceanos e mares
sobre estrelas
verdes e laranjas e azuis
mais azuis que os olhos
que o céu que o azul
os cabos e os postes
onde se equilibram a clave de sol
e lá e ré e ré e lá
deslizando sem pressa
pra se esconder
na escuridão tímida
de uma tarde engraçada