quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Paixão

Oi. Oi ainda estou aqui. Você tentou me esquecer mas não adiantou nada... você sabe... A esperança é a última que morre...
E achou que deveria me largar no fundo de um armário, num caixinha talvez. Com todo carinho você me deixou alicom suas cartas antigas, coleções de ingressos de shows, fotos, cadernos e mais cadernos cheios de escritos, uma palheta na carteira, um violão encostado num canto do quarto, dois rádios velhos, Lps, Cds, K7s e Mp3... Ahã... como você poderia me esquecer,não é mesmo? Vamos lá, Iara, não negue que você simplesmente me ama e não pode viver sem mim! hehehe Vai, tente se refugiar nos livros, mas não se esqueça que foi ali que nos conhecemos. Bem, ali... na cena da festa... A Márcia fez questão de me apresentar a você. E desde então estamos juntos... Por mais que tente fugir você está me perseguindo... Ora, ora, o que posso dizer, sou irresistível! ahahaha E você (admita!) vai morrer em mim!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Disfarce

Na sala de espera. Entre uma letra e outra de um livro. Tento me distrair com seus significados. Procuro outros para disfarçar meu nervosismo. Minha ansiedade e minha sede de você-real. Aqui, a poucos metros, escuto sua voz despreocupada. "A vida mesmo é engraçada e você é apenas um papelzinho jogado na calçada de casa". E eu chupo uma bala para disfarçar a dose de você que venho tomando durante alguns dias. Meu hálito não reflete em nada o você-real. É preciso aspirar com mais atenção. E quanto mais estou com você mas longe ficamos. Não há como ser real. O ideal só existe aqui pra disfarçar uma solidãozinha que quero descartar. Ainda bem que existem outros dias, outros dias são melhores. Melhores são os tempos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aquele que morrer primeiro

Se você ainda estivesse aqui
Eu não seria mais eu
Seria uma pessoa que foi enterrada viva
Você dançaria com um cadáver
E exigiria amor aos vermes que comem meus órgãos

Se você ainda estivesse aqui
Me encontraria num dia sem sombra
Um saco onde embalaram a carne do açougue
Cozida em fogo brando e a vida se esvaindo
Lambendo os dedos com o resto de sangue podre

Que bom que você não está aqui
Assim posso te queimar em uma fogueira
E assim te chamar de falecido
E assim chorar às vezes por alguém como se fosse querido
Nas minhas fantasias de saudades te mato no final
E deito minha cabeça encardida num travesseiro tranquilo

Movendo-se no cinza

Não insulte o branco dos olhos ásperos
Suspenda a respiração e ouça as batidas
Parece que vem de fora, ouça
Marteladas no fundo do mar

Tente escalar e ver o que há
Mas por trás da textura lisa
O concreto desintegra memórias
Elas caem, essenciais, quebrando-se

Estourando um pensamento dentro da sua cabeça
Os vultos surgem em névoas acizentadas
Sorrisos familiares dos que não se viveram
Tente se concentrar, tente se concentrar
Os pensamentos turvam outros pensamentos

Andando, correndo, passos carregam o meu peso pelas ruas
As articulações se sobrecarregam preocupadas
Dentro das botas tentam se sentir seguras
Depressa, pense rápido, onde eles podem estar?
A angústia dançando sob meu corpo
Tenta-se entender o que está prestes a acontecer
Porém as placas se impõem gigantescamente vazias

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Medo

Eu tenho medo. Medo de que não dê tempo. Uma agonia... Um medo de morrer sem ter me levado por um instante a sério. Medo do tempo que passa. Do tempo que um dia vai acabar.
Medo de que não dê tempo de ler Marx, de não saber nheca de História da Arte, de nunca compreender a arte moderna, de não poder ajudar ninguém... Meu(s) deus(es)!!! De entender por que as coisas são como são! Medo de perder o meu fiozinho de esperança...
Afinal pra que merda serve a arte? E o que é a arte? E por que o mercado faz o que faz com a arte? E por que o Brasil não investe nisso? Por que arte não põem pão na mesa de ninguém? E por que é necessário se expressar, se comunicar? Por que a arte existe? E quem disse que está tão distante de nós? Por que colocar as coisas num pedestal? E o tempo passa... o tempo passa...

Deus(es) aonde vai dar tudo isso???

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

...

Estou cansada de escrever sobre mim, de derramar aqui as mesmas questõezinhas que rondam minha cabeça. Ah, pra quê? Ver aqui na tela as mesmas interrogações que não param de se agitar na minha mente. Estou com dor de cabeça. Estou gripada. Primeiro dia do ano. A merda do vizinho liga seu repertório de piores músicas do mundo no último volume. Claro, o bairro inteiro tem que escutar! Sim, vou falar dele. Me esqueçam! Vou falar o quanto tenho vontade de explodir o som do carro dele. O quanto desejo que roubem o carro dele! Desejo sim. Uahahahaha Mas... não posso... De verdade, não posso. Minha religião (??) não permite. Aquilo que desejo aos outros volta pra mim três vezes. Uma coisa imbecil? Talvez, mas trata-se de um guia pra mim. Fazer o quê? Preciso de um se não me perco nesse vendaval de maluquices. E aí, até as coisas voltarem a fazer um certo sentido dá um puta trabalhão. Beijos.