sábado, 30 de abril de 2011
Ãh?
Augusta, tá. Puta merda porque tinha de começar a chover bem agora? August. Monte de gente esquisita. Faço parte. Tá. Malditos pingos! Mas será que é aqui mesmo? Puts, e se for do outro lado? Ele disse que já tava lá. Merda. E esse sapato agora? Também... eu deveria ter ido pra lá antes, com calma, mas não... Não queria ficar esperando ele lá com cara de tonta. Ô merda de chuva. Luis Coelho? Puta merda, tô do lado errado só pode ser... mas... Droga, não tô enxergando nada. Ai, dá licensa, meu. Vá pisar no pé da sua vó! Que merda. Cadê meu guarda-chuva? Acho que vou ter de voltar. Não sei, acho que não é por aqui. E se eu perguntar na banca... "ô, moça, olha por onde anda!". "Ai, desculpa!" Bosta. Acho que vou ter de voltar. E essa merda... "Oi.". "Ah, mas... que você tá fazendo aqui?". "Sabia que você ia tá perdidona por aí.". "Ah, falô...". "É, sério!". "Que nada, você ia comprar cigarro...", "Ah... claro, que não...".
K
Ke-rou-ac
Kerouac
Kruac
Krac
Rac
On the road
Jack?
On the road
Jack?
No dia em que eu, depois da primeira aula, estava na biblioteca da faculdade procurando pelo On the road, sussurrando pra quem não quisesse ouvir "Jaaaaack?", e depois encontrá-lo com tamanha felicidade, e enfiá-lo dentro da bolsa... Lendo no ônibus em transe de outras dimensões... Cheguei em casa.
Cheguei em casa. Fechei a porta. Minha mãe soluçando ao telefone. Falando de alguém. "Pitoco?", pensei, assustada e preocupada. Ele apareceu. "Bom, meu cachorro está bem." Então ouvi o Jack me chamando "Iara", "oi?", "Iara...", "que foi, Jack?", "...seu pai morreu".
- Filha, seu pai morreu.
1922
1954
1969
1982
2002
????
- ... seu pai...
- É, tô sabendo.
Kerouac
Kruac
Krac
Rac
On the road
Jack?
On the road
Jack?
No dia em que eu, depois da primeira aula, estava na biblioteca da faculdade procurando pelo On the road, sussurrando pra quem não quisesse ouvir "Jaaaaack?", e depois encontrá-lo com tamanha felicidade, e enfiá-lo dentro da bolsa... Lendo no ônibus em transe de outras dimensões... Cheguei em casa.
Cheguei em casa. Fechei a porta. Minha mãe soluçando ao telefone. Falando de alguém. "Pitoco?", pensei, assustada e preocupada. Ele apareceu. "Bom, meu cachorro está bem." Então ouvi o Jack me chamando "Iara", "oi?", "Iara...", "que foi, Jack?", "...seu pai morreu".
- Filha, seu pai morreu.
1922
1954
1969
1982
2002
????
- ... seu pai...
- É, tô sabendo.
sábado, 9 de abril de 2011
de prata virou prateado que virou arame
de prata virou prateado que virou arame
ainda gosto de ouvir histórias de fantasmas
te transformei em mais um pra minha coleção
junto de sapatos debaixo da minha cama
ou de uns tantos livros espalhados pelo quarto
Mais uma fogueirinha vai nascer
E da fumaça a gente te exorcisa
de prata virou prateado que virou arame
que não vale um tostão
isso só pode ser doença, só pode ser
e eu estou em busca do meu remedinho milagroso
meus lindos remedinhos
ainda gosto de ouvir histórias de fantasmas
te transformei em mais um pra minha coleção
junto de sapatos debaixo da minha cama
ou de uns tantos livros espalhados pelo quarto
Mais uma fogueirinha vai nascer
E da fumaça a gente te exorcisa
de prata virou prateado que virou arame
que não vale um tostão
isso só pode ser doença, só pode ser
e eu estou em busca do meu remedinho milagroso
meus lindos remedinhos
segunda-feira, 4 de abril de 2011
começando pelo fim
Começo por onde? Que tal pelo final? Fui demitida.
Isso foi na quinta da semana passada, mas ainda estou tentando lidar com o baque. Hoje é segunda. E muitas vezes me pego na mesma situação: através de flashbacks tento analisar em que ponto errei, ou o que eu fiz pra que desencadeasse isso. E no meio de tudo uma imagem ecoa na minha cabeça com certa insistência. Nada específico. Nada especial. Apenas vem. Em câmera lenta, o minichefão vai de uma sala à outra, os olhos vidrados, seus braços gesticulando, todo agitado, gritando palavras incompreensíveis, resmungos, coisas que ninguém consegue entender direito, parece o choro de uma criança mimada exigindo atenção, atenção, atenção,... e para ontem!
“E o que eu tenho a ver com isso?”, me pergunto de repente. Nada. Nada mais. “Já foi” é o que repito a mim mesma. Pensar nisso me deixa feliz, mas depois me lembro de meus colegas que ainda estão lá... enfim, bola pra frente.
De verdade, não sei em quanto tempo vou conseguir voltar a trabalhar efetivamente. Mas acredito, sinceramente, que as coisas vão melhorar. Não me pergunte de onde vem essa crença. É algo que sinto. Se vem de deus, deuses, ou se é simplesmente uma tolice, não sei. Tenho até junho para curtir a vida. Depois é correr atrás.
Isso foi na quinta da semana passada, mas ainda estou tentando lidar com o baque. Hoje é segunda. E muitas vezes me pego na mesma situação: através de flashbacks tento analisar em que ponto errei, ou o que eu fiz pra que desencadeasse isso. E no meio de tudo uma imagem ecoa na minha cabeça com certa insistência. Nada específico. Nada especial. Apenas vem. Em câmera lenta, o minichefão vai de uma sala à outra, os olhos vidrados, seus braços gesticulando, todo agitado, gritando palavras incompreensíveis, resmungos, coisas que ninguém consegue entender direito, parece o choro de uma criança mimada exigindo atenção, atenção, atenção,... e para ontem!
“E o que eu tenho a ver com isso?”, me pergunto de repente. Nada. Nada mais. “Já foi” é o que repito a mim mesma. Pensar nisso me deixa feliz, mas depois me lembro de meus colegas que ainda estão lá... enfim, bola pra frente.
De verdade, não sei em quanto tempo vou conseguir voltar a trabalhar efetivamente. Mas acredito, sinceramente, que as coisas vão melhorar. Não me pergunte de onde vem essa crença. É algo que sinto. Se vem de deus, deuses, ou se é simplesmente uma tolice, não sei. Tenho até junho para curtir a vida. Depois é correr atrás.
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