segunda-feira, 4 de abril de 2011

começando pelo fim

Começo por onde? Que tal pelo final? Fui demitida.
Isso foi na quinta da semana passada, mas ainda estou tentando lidar com o baque. Hoje é segunda. E muitas vezes me pego na mesma situação: através de flashbacks tento analisar em que ponto errei, ou o que eu fiz pra que desencadeasse isso. E no meio de tudo uma imagem ecoa na minha cabeça com certa insistência. Nada específico. Nada especial. Apenas vem. Em câmera lenta, o minichefão vai de uma sala à outra, os olhos vidrados, seus braços gesticulando, todo agitado, gritando palavras incompreensíveis, resmungos, coisas que ninguém consegue entender direito, parece o choro de uma criança mimada exigindo atenção, atenção, atenção,... e para ontem!
“E o que eu tenho a ver com isso?”, me pergunto de repente. Nada. Nada mais. “Já foi” é o que repito a mim mesma. Pensar nisso me deixa feliz, mas depois me lembro de meus colegas que ainda estão lá... enfim, bola pra frente.
De verdade, não sei em quanto tempo vou conseguir voltar a trabalhar efetivamente. Mas acredito, sinceramente, que as coisas vão melhorar. Não me pergunte de onde vem essa crença. É algo que sinto. Se vem de deus, deuses, ou se é simplesmente uma tolice, não sei. Tenho até junho para curtir a vida. Depois é correr atrás.

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