Querem me dizer algo
Que devo acreditar
Que tudo isso é engraçado
Mas eu não acho nenhuma graça
Querem me dizer algo
Que devo acreditar
Que devo querer ser desejável
E de tal modo me comportar
Querem me dizer algo
Que deveria desejar
Ser algo sempre maior
Do que os passos que posso dar
Mas na verdade quero dizer
Que eu acredito
Mais em mim e na minha vida
Não no que os outros que acham que eu devo achar
sábado, 28 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Acordo
A cada passo uma batida mais forte
Parece que o universo se afunda em si mesmo
Num soluço incontrolável
Respirar fundo, eu vou conseguir
E as mãos suam e não adianta secá-las nas pernas
Estou sentada a poucos metros de distância
Não adianta fingir que não se importa
Fingir toda essa indiferença só pioram as coisas
Mas o que se faz para se segurar em si mesma
E não sair correndo em busca de socorro
Talvez um calmante, um tranquilizante
A poucos metros de distância
Sem querer tento ouvir a sua voz
Distingui-la de várias outras é tão difícil
E por isso canto qualquer coisa em cima dos segundos
Porque eu não posso pensar que você está aqui perto
Prestes a aparecer na minha frente
Olho pro chão, olho pra parede
Olho através de você, sua cabeça, seu rosto
Me evitando, me detestando, e retribuo
O desgostar dessa situação é o mesmo
Compartilham-se os desconfortos
Os gestos desenhados confessam
O medo de se reconhecer no outro é muito grande
Cuidado com as palavras, cuidado com os olhares
E o silêncio é um mostro que quer engolir nossas cabeças
Por isso é preciso que tudo seja muito rápido
Que façamos apenas o básico, por conveniência
Porque eu quis mantê-la com parte de nossas vidas
Num desastre que se repete por semanas
Mesmo à noite, quando deito minha cabeça sobre o travesseiro
Tento sonhar com as várias possibilidades
Todas ali, num piscar de olhos, tudo poderia ser diferente
O desgostar poderia deixar de ser o nosso acordo
Quebrariam-se as regras, respiraríamos aliviados
E poderíamos, enfim, seguir as nossas vidas
Em busca de nossas satisfações pessoais imperfeitas e tranquilas
Parece que o universo se afunda em si mesmo
Num soluço incontrolável
Respirar fundo, eu vou conseguir
E as mãos suam e não adianta secá-las nas pernas
Estou sentada a poucos metros de distância
Não adianta fingir que não se importa
Fingir toda essa indiferença só pioram as coisas
Mas o que se faz para se segurar em si mesma
E não sair correndo em busca de socorro
Talvez um calmante, um tranquilizante
A poucos metros de distância
Sem querer tento ouvir a sua voz
Distingui-la de várias outras é tão difícil
E por isso canto qualquer coisa em cima dos segundos
Porque eu não posso pensar que você está aqui perto
Prestes a aparecer na minha frente
Olho pro chão, olho pra parede
Olho através de você, sua cabeça, seu rosto
Me evitando, me detestando, e retribuo
O desgostar dessa situação é o mesmo
Compartilham-se os desconfortos
Os gestos desenhados confessam
O medo de se reconhecer no outro é muito grande
Cuidado com as palavras, cuidado com os olhares
E o silêncio é um mostro que quer engolir nossas cabeças
Por isso é preciso que tudo seja muito rápido
Que façamos apenas o básico, por conveniência
Porque eu quis mantê-la com parte de nossas vidas
Num desastre que se repete por semanas
Mesmo à noite, quando deito minha cabeça sobre o travesseiro
Tento sonhar com as várias possibilidades
Todas ali, num piscar de olhos, tudo poderia ser diferente
O desgostar poderia deixar de ser o nosso acordo
Quebrariam-se as regras, respiraríamos aliviados
E poderíamos, enfim, seguir as nossas vidas
Em busca de nossas satisfações pessoais imperfeitas e tranquilas
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