A cada passo uma batida mais forte
Parece que o universo se afunda em si mesmo
Num soluço incontrolável
Respirar fundo, eu vou conseguir
E as mãos suam e não adianta secá-las nas pernas
Estou sentada a poucos metros de distância
Não adianta fingir que não se importa
Fingir toda essa indiferença só pioram as coisas
Mas o que se faz para se segurar em si mesma
E não sair correndo em busca de socorro
Talvez um calmante, um tranquilizante
A poucos metros de distância
Sem querer tento ouvir a sua voz
Distingui-la de várias outras é tão difícil
E por isso canto qualquer coisa em cima dos segundos
Porque eu não posso pensar que você está aqui perto
Prestes a aparecer na minha frente
Olho pro chão, olho pra parede
Olho através de você, sua cabeça, seu rosto
Me evitando, me detestando, e retribuo
O desgostar dessa situação é o mesmo
Compartilham-se os desconfortos
Os gestos desenhados confessam
O medo de se reconhecer no outro é muito grande
Cuidado com as palavras, cuidado com os olhares
E o silêncio é um mostro que quer engolir nossas cabeças
Por isso é preciso que tudo seja muito rápido
Que façamos apenas o básico, por conveniência
Porque eu quis mantê-la com parte de nossas vidas
Num desastre que se repete por semanas
Mesmo à noite, quando deito minha cabeça sobre o travesseiro
Tento sonhar com as várias possibilidades
Todas ali, num piscar de olhos, tudo poderia ser diferente
O desgostar poderia deixar de ser o nosso acordo
Quebrariam-se as regras, respiraríamos aliviados
E poderíamos, enfim, seguir as nossas vidas
Em busca de nossas satisfações pessoais imperfeitas e tranquilas
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