segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
sábado, 1 de dezembro de 2012
Desde Dresden
O silêncio é a ponte dos nossos pensamentos
Suportando o sol que cai da tarde
No caminho da nova para a velha cidade
Atravessando a ponte sobre o rio Elba
À sombra dos prédios escurecidos
Seu nome esquecido e seu beijo último ficaram no ar
Fome de sonho
E hoje acordei com fome
Fome de comer um sonho
Um sonho cremoso, bem recheado
Mas minha cabeça tá esvaziada
Pesquiso um sonho assim bonito
De alguém que já sonhou e postou na internet
Nem precisa ser seu sonho de verdade
Compartilha aí que tô sem criatividade
Quem vai comer seu sonho sou eu
Comendo de uma tacada só
Engolindo goela abaixo
Porque o tempo é precioso demais
E quem vai digerir mal e vomitá-lo sou eu
Respingando ideias rasas nos olhos dos outros
Nem precisa ser seu sonho de verdade
Compartilha aí que hoje tô sem criatividade
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Fatos desta semana
Uma amiga vai para Polônia
Um amigo para um sarau no interior
Um avô morreu
Umas netas ficaram sem saber a notícia
Uma mãe achou que tinha piolho no cabelo
Uma irmã fez aniversário
Uma cachorra teve os pelos tosados
Uma pessoa tirou foto da outra
Um amigo para um sarau no interior
Um avô morreu
Umas netas ficaram sem saber a notícia
Uma mãe achou que tinha piolho no cabelo
Uma irmã fez aniversário
Uma cachorra teve os pelos tosados
Uma pessoa tirou foto da outra
"Você deveria escrever."
"Por quê?"
"Porque você pensa diferente. Tem ideias diferentes."
"Não acho."
"Eu não conheço mais ninguém que diz que lamber pratos depois das refeições deveria se tornar um hábito."
"Não foi isso o que eu disse. Eu disse que poderia ser altamente aceitável o ato de lamber o prato após uma refeição saborosa como sinal de agradecimento a quem cozinhou. Já imaginou todo mundo lambendo os pratos nos restaurantes? Ia ser demais!"
"Por quê?"
"Porque você pensa diferente. Tem ideias diferentes."
"Não acho."
"Eu não conheço mais ninguém que diz que lamber pratos depois das refeições deveria se tornar um hábito."
"Não foi isso o que eu disse. Eu disse que poderia ser altamente aceitável o ato de lamber o prato após uma refeição saborosa como sinal de agradecimento a quem cozinhou. Já imaginou todo mundo lambendo os pratos nos restaurantes? Ia ser demais!"
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Nota
"Mas, além de modificar comportamentos, a propaganda pode criar, ampliar, consolidar e fortificar imagens, conceitos e reputações, fazendo com que uma empresa ou marca passe de uma total desconhecida por parte do mercado para uma posição viva, forte, presente na cabeça dos consumidores."(Propaganda de A a Z, de Rafael Sampaio)
Guerilla marketing
Punks, esquerdistas e simpatizantes de Che Guevara nas boutiques
Hipsters e hippies chiques
é rock'n'roll, é funk, é sertanejo
é do povão, do povo, do zé-povinho
é novela e reality-show
é de quem canta mais bonito e é aprovado pelos jurados
"é massa!"
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Sem tempo
Eu tento não ficar pensando nas coisas do passado mas é praticamente impossível, mesmo porque o passado não é feito só de lembranças de muitos anos atrás. Pode ser de um milésimo de segundo atrás. Eu sei lá. Eu sei lá. Mas...
Eu tive um sonho com pessoas com as quais não queria ter sonhado. Não foi um sonho ruim. Não foi. Mas... ah, queria tanto me livrar DESSAS coisas do passado. E eu não entendo por que eu tenho de sonhar com isso.
Ontem me lembrei de outras coisas do passado. E ria sozinha enquanto voltava pra casa. Coisas boas assim são legais de lembrar. Coisas assim me fazem feliz. Como daquela vez em que voltávamos pra casa à noite e ríamos à toa, sem motivo concreto, tentando resolver as questões de inglês. Ou quando andávamos rápido em direção à estação de trem, batendo nossos guarda-chuvas, tentando não pisar nas poças d'água, falando sobre o medo de trovão.
E depois... bem, e depois é agora. É eu aqui me lembrando disso.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
mau tempo
Estou cansada de ficar doente
De não ter forças nem pra botar os pés do lado de fora do portão
Estou fraca, estou chateada
Nem chorar poderia, minha cabeça dói
Parece que me forçaram a usar uma máscara de ferro invisível
que não me deixa respirar direito, dormir direito, falar direito
E eu acordo de madrugada festejando ter dormido 4 horas seguidas
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Eu me sento na frente do computador
Eu me sento na frente do computador. Praticamente todos os dias. Acesso sempre dois sites. E às vezes os periféricos. Estes sempre trazem mais informações. Mas isso não é importante. Não agora. Agora o que importa é que preciso de alguma forma escrever alguma coisa. Pra ver se a minha existência se torna menos insignificante. E. Bem, escrever algumas palavras não torna a minha existência menos insignificante. Torna?
Eu me sento na frente do computador. E quero desligar a minha mente. Desligar o botão do ponto de interrogação. Porque cansa. E eu preciso de um tempo.
Eu me sento na frente do computador. E fica essa luz secando os meus olhos.
Eu me sento na frente do computador. E não o ligo. Fico olhando a tela preta. A mesa preta. Minhas unhas pretas. E penso que devo ter algum problema psicológico relacionado a cores.
Eu me sento na frente do computador. E novamente abro o Word. Aí vem aquele monte de letras pretas com fundo branco. “Capítulo 23”. E lá vamos nós terminá-lo. Qual era mesmo o parágrafo? Ah, aquele bem entediante sobre pesquisa quantitativa. Então, tá.
Eu me sento na frente do computador. Mas hoje não tô a fim. Sentada na cadeira de rodinhas dou impulso e me afasto da mesa. No meio do quarto, bem embaixo da luminária, começo a rodar em sentido horário e penso “nossa, que manobra radical! será que alguém ganha dinheiro fazendo isso?”. Depois paro de rodar e tento olhar fixo para as cortinas e penso “nossa, por que eu tenho que pensar que alguém poderia ganhar dinheiro fazendo coisas idiotas? por que tenho essa coisa de pensar que coisas idiotas vão dar dinheiro?”.
Eu me sento na frente do computador. Abro o Word. E escrevo sobre o quanto estou triste hoje. Conto como sinto saudades do meu pai. E como eu não aguento mais a minha mãe, apesar de amá-la e não querer abandoná-la. E como tenho medo do futuro.
Eu me sento na frente do computador. E ouço Electric Wizard. E penso “que som foda!”. E meus olhos marejam. E dou risada. E penso em como seria legal tocar esse som megagrave na guitarra e sentir o peso dos acordes.
Eu me sento na frente do computador. Jogo “Cafeland” e penso “esse jogo é muito besta, mas é legal”. Coloco músicas da Fiona Apple pra tocar. E no jogo cozinho um monte de hambúrgueres. Depois resolvo abrir o Word e escrever.
Eu me sento na frente do computador. Mas desisto do que eu ia fazer. Vou pro quarto. Fecho a porta. Acendo o abajour. Como não tenho vontade de ler nada, apago o aboujour e vou dormir. Mas na verdade demoro pra pegar no sono. Porque fico pensando nas coisas que preciso fazer no dia seguinte ou, então, cenas do passado ficam se repetindo e se misturam com minha imaginação fértil.
Eu me sento na frente do computador. E quero desligar a minha mente. Desligar o botão do ponto de interrogação. Porque cansa. E eu preciso de um tempo.
Eu me sento na frente do computador. E fica essa luz secando os meus olhos.
Eu me sento na frente do computador. E não o ligo. Fico olhando a tela preta. A mesa preta. Minhas unhas pretas. E penso que devo ter algum problema psicológico relacionado a cores.
Eu me sento na frente do computador. E novamente abro o Word. Aí vem aquele monte de letras pretas com fundo branco. “Capítulo 23”. E lá vamos nós terminá-lo. Qual era mesmo o parágrafo? Ah, aquele bem entediante sobre pesquisa quantitativa. Então, tá.
Eu me sento na frente do computador. Mas hoje não tô a fim. Sentada na cadeira de rodinhas dou impulso e me afasto da mesa. No meio do quarto, bem embaixo da luminária, começo a rodar em sentido horário e penso “nossa, que manobra radical! será que alguém ganha dinheiro fazendo isso?”. Depois paro de rodar e tento olhar fixo para as cortinas e penso “nossa, por que eu tenho que pensar que alguém poderia ganhar dinheiro fazendo coisas idiotas? por que tenho essa coisa de pensar que coisas idiotas vão dar dinheiro?”.
Eu me sento na frente do computador. Abro o Word. E escrevo sobre o quanto estou triste hoje. Conto como sinto saudades do meu pai. E como eu não aguento mais a minha mãe, apesar de amá-la e não querer abandoná-la. E como tenho medo do futuro.
Eu me sento na frente do computador. E ouço Electric Wizard. E penso “que som foda!”. E meus olhos marejam. E dou risada. E penso em como seria legal tocar esse som megagrave na guitarra e sentir o peso dos acordes.
Eu me sento na frente do computador. Jogo “Cafeland” e penso “esse jogo é muito besta, mas é legal”. Coloco músicas da Fiona Apple pra tocar. E no jogo cozinho um monte de hambúrgueres. Depois resolvo abrir o Word e escrever.
Eu me sento na frente do computador. Mas desisto do que eu ia fazer. Vou pro quarto. Fecho a porta. Acendo o abajour. Como não tenho vontade de ler nada, apago o aboujour e vou dormir. Mas na verdade demoro pra pegar no sono. Porque fico pensando nas coisas que preciso fazer no dia seguinte ou, então, cenas do passado ficam se repetindo e se misturam com minha imaginação fértil.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Hmmmm...
Toca a campanhia.
- Oi. Tudo bem? Vim lhe trazer um convite.
-...
- Um convite especial. Queria lhe entregar em mãos.
- É da igreja?
- Não. Não é da igreja. É para ler a Bíblia.
- Ah...
- Claro que você tem uma Bíblia em casa, né?
- Hmmmm... não sei, talvez...
- Então, a Bíblia é um livro tão gostoso de ver. De folhear. Tão bonito.
- Hmmmm...
- Você concorda que o mundo tá ruim.
- Sim.
- Então, em breve a gente vai ter segurança.
- Hmmmm...
- No convite tem a pergunta "Você não quer acordar todas as manhãs e se sentir bem?". Então, na reunião a gente vai falar sobre isso. Sobre viver num mundo melhor. Olha que flores lindas tem no seu quintal, né. Nem precisa ficar pintando flores no seu braço...
- Hmmmm...
- Então, porque a gente vai falar muitas coisas... Como viver num mundo melhor. Como ser uma boa mãe para seu filho. Um mundo melhor para o filho do seu filho, né. Questões muito importantes como como ser uma boa esposa...
- Hmmmm...
- Então, aparece lá domingo, é lá em Mariporã. Leve sua família e...
- Ah, você não quer deixar esse convite aí na caixa do correio? Tô meio ocupada aqui.
- Ah... claro. Foi muito bom falar com você, viu.
- Hmmmm...
- Oi. Tudo bem? Vim lhe trazer um convite.
-...
- Um convite especial. Queria lhe entregar em mãos.
- É da igreja?
- Não. Não é da igreja. É para ler a Bíblia.
- Ah...
- Claro que você tem uma Bíblia em casa, né?
- Hmmmm... não sei, talvez...
- Então, a Bíblia é um livro tão gostoso de ver. De folhear. Tão bonito.
- Hmmmm...
- Você concorda que o mundo tá ruim.
- Sim.
- Então, em breve a gente vai ter segurança.
- Hmmmm...
- No convite tem a pergunta "Você não quer acordar todas as manhãs e se sentir bem?". Então, na reunião a gente vai falar sobre isso. Sobre viver num mundo melhor. Olha que flores lindas tem no seu quintal, né. Nem precisa ficar pintando flores no seu braço...
- Hmmmm...
- Então, porque a gente vai falar muitas coisas... Como viver num mundo melhor. Como ser uma boa mãe para seu filho. Um mundo melhor para o filho do seu filho, né. Questões muito importantes como como ser uma boa esposa...
- Hmmmm...
- Então, aparece lá domingo, é lá em Mariporã. Leve sua família e...
- Ah, você não quer deixar esse convite aí na caixa do correio? Tô meio ocupada aqui.
- Ah... claro. Foi muito bom falar com você, viu.
- Hmmmm...
domingo, 17 de junho de 2012
A tristeza é às vezes
A tristeza é às vezes um sofá confortável demais, convidativo demais.
Uma recompensa após um dia tão cansativo.
Uma desculpinha, que cai feito garoa fina.
minha cota de depressão
Dos 70% da minha cota de depressão acho que estou usando uns 30% ultimamente. =)
domingo, 15 de janeiro de 2012
às vezes tenho a impressão de que a história... (27/12/2011)
às vezes tenho a impressão de que a história vai se perdendo
sob meus pés
e o vento que sopra para dentro da minha janela desgasta meu tempo
nesta vida
"estamos morrendo" dizem as sombras do entardecer
e me aconchego nos braços de pequenas coisas que possuo
pois estas me amam incondicionalmente
não me julgam, não me dizem que devo ser feliz
estão apenas ao meu redor, inanimadas
e dizem "sim, talvez você esteja certa, talvez a história esteja realmente se perdendo porque nós te amamos".
sob meus pés
e o vento que sopra para dentro da minha janela desgasta meu tempo
nesta vida
"estamos morrendo" dizem as sombras do entardecer
e me aconchego nos braços de pequenas coisas que possuo
pois estas me amam incondicionalmente
não me julgam, não me dizem que devo ser feliz
estão apenas ao meu redor, inanimadas
e dizem "sim, talvez você esteja certa, talvez a história esteja realmente se perdendo porque nós te amamos".
Assinar:
Postagens (Atom)
