sexta-feira, 4 de março de 2011

a casa

Eu desço a rua logo a noite quando venta mais no morro. E do outro lado quero, desejo muito ver sua casa. E quero, desejo muito não desejar isso. Sigo meu caminho. Viro na esquina. Chego ao portão de minha casa. Quase todo o dia. Depois do trabalho. Talvez às sete horas da noite.
É bem provável que eu esteja tendo mais um de meus delírios. Mas geralmente eles são tão fortes que podem se tornar reais. Então, penso que talvez eu devesse bater à porta de sua casa pra me desculpar por invadir assim a sua realidade. E sua história que não tinha absolutamente nada a ver com a minha. Eu nasci há um tempo antes. Antes, sim, bem antes. Você não estava lá, ninguém disse que você estava lá. E de repente desejo somente ver sua casa esteja acesa. Quem sabe. É uma esperança. Sei que você está vivo porque acendeu a luz de sua casa. Não sei quem você é. Mas sei onde mora. É bem ali, naquela casa. E porque há um certo sentimento de culpa em tudo isso talvez eu devesse explicar. Algum dia quem sabe. Me sinto horrível. Me sinto assassina. Uma criminosa. Minha consciência me castiga, ela sabe. Ouço sua voz. Então, tento apagar tudo isso. Tento me livrar dessa coisa, desse peso que me faz sentir desprezo por mim mesma. Meus pesados passos andam tortos. Subo escadas com dificuldades. Mas descer aquela rua é fácil. A maníaca, a obsessiva, a depressiva. Me dê um pouco de luz.

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