Queria dizer que estou partindo
Queria deixar as saudades e todas as histórias correrem
Suavemente, no verde metálico das cercas velhas da estrada
Queria me mover bem rápido, mas se vai em direção a nada
Eu me conecto ao nada vazio branco do nada do eterno minuto-nada
Ao longe, eu me esforço, me esforço tentando enxergar láááááá
Nem sei se há vultos, nem nuvens nem fumaças ou ideias
Pequenas gotas de sonhos caindo geladas na pele
Vagarosamente rastejante, num piloto automático voltando pra casa
E digo "oi" por hábito e por hábito fechar a porta atrás de mim
Queria dizer que eu sinto muito pelas coisas serem assim
Mas a verdade é que... a verdade é que se vai
A verdade é que se acorda no meio da noite com medo do futuro
A verdade é que é preciso escovar os dentes
A verdade é eu gosto de pão com manteiga e café
A verdade é que eu sinto culpa
A verdade é que me importo de não estar vivendo do jeito que dizem que eu deveria viver
A verdade é que eu quero que todo mundo se exploda
A verdade é que eu só queria ser feliz e que todo mundo também fosse feliz
Mas a verdade é que as coisas são do jeito que são até que se mude de ideia
Move-se então, move-se então, à frente vão, despercebidos respiram
Um passo e então começa outro nos olhos sonolentos não sei mais
As pedras lançadas pelas crianças na beira da estrada
Fazem o ônibus tropicar preguiçosamente de um lado para o outro em sua viagem morna
Balançando a cabeça enquanto penso que talvez eu quisesse sentir saudades
Talvez eu quisesse
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